O maior amor do mundo

EM: 20 de fevereiro de 2017

O meu é maior! Parece briga de crianças numa pré escola, cada qual em poder do seu brinquedinho  que ali, tem sua importância medida em centímetros. Mas não, essa afirmação é o que se vê nas entrelinhas de algumas manifestações calorosas por aí. Deveriam ser de amor, mas delatam em seus superlativos e advérbios de exclusão, afirmações egóicas de primeira grandeza.

“Maior amor do mundo!” ; “Só quem tem isso ou aquilo é que conhece o verdadeiro amor”, “Apenas os fulanos (que já possuem o tal objeto de desejo ali exibido) entenderão o que estou dizendo” etc. Não baby, qualquer pessoa que saiba português compreenderá sua fala.

Parece que excluir um monte de gente ou tentar diminuí-los por não ter, saber, pertencer, virou modinha. Aliás o nome da classificação gramatical dado, não por acaso, é “advérbio de exclusão”. Só assim, talvez, a sensação de realização pessoal e autoafirmação buscadas terão de fato sentido. Ser feliz e declarar sua felicidade por si só, sem medi-la numa régua com a do coleguinha ao lado tem sido coisa rara, de tão pura.

Amor não tem tamanho, felicidade, alegria, realização são daquelas coisas que de tão inexplicáveis, são incomensuráveis. Sensações e percepções são sempre subjetivos, meus, teus, deles. Não cabem discussões sobre o tamanho do sentir do outro, não há unidade de medida capaz de dar conta disso. Sem tamanhos, nem P, nem M e nem G, sentimentos não se comparam.

Minha dor é a maior do mundo pra mim, a sua pra você. A alegria que algo te dá é , para ti tão imensa quanto a do vizinho é pra ele. E a beleza da coisa está exatamente aí, nessa incógnita que faz João sentir-se tão realizado com seu  trabalho quanto Paula é com os filhos, quanto Andréa com seus cãozinhos ou Pedro com suas pesquisas.

Não há nada exato no mundo das emoções.

Amemos e soframos em paz, sem trenas.

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