O vinho acabou, o papo nunca

EM: 14 de abril de 2017

Mais de vinte anos depois e estávamos ali sentadas à mesa de uma pizzaria atualizando umas às outras sobre si mesmas, eu e duas amigas muito amadas. Lembranças das aventuras do tempo de faculdade, claro, não faltaram. Foi lá, nos corredores da Universidade Federal do Paraná, que nos conhecemos em 1900 e tantos, ainda um tanto bobinhas de tudo, como se diz por aí. Daria um livro. Aliás, três!

Entre uma taça de vinho e outra, fiquei olhando o quanto não somos mais aquelas e, contraditoriamente, como continuamos iguais. Aprendemos, crescemos, mudamos. Peripécia da vida essa, que nos faz sermos novos sem abandonar o velho. Mudar, sem deixar de ser.

Cabíamos tão bem naquele tempo, naquelas histórias, naquele modo de ser e fazer. Jeitos e coisas que hoje seriam pouco ou muito, talvez até inadequadas, ou impossíveis.

Casamentos, descasamentos, filhos, carreiras, caminhos… A banda toca outra música e é preciso mudar o passo da dança. E não é exatamente nisso que está a beleza da coisa toda? A variedade de ritmos e melodias a cada trecho desse desfile chamado existir nos lembra que estamos vivos.

É preciso coragem para não nos deixar hipnotizar pelo saudosismo a ponto de não vermos a banda passar na calçada e leveza de alma para jogar-se inteira no novo baile.

O vinho acabou, o papo nunca. Saí exaurida de rir e sorrir. Bom ter estado lá naquele tempo, bom estar nesse aqui. Os contextos mudam, nós também, mas o verdadeiro permanece e nos ajuda a prosseguir. Sorria para o passado e se jogue na balada do presente. Divirta-se!

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