O que meus vizinhos pedreiros me ensinaram

EM: 17 de março de 2017

Nas últimas semanas minha vida tem sido regida por duas grandes trilhas sonoras: a V sinfonia do edifício comercial e o Soneto do condomínio residencial, ambas eximiamente executadas pela Orquestra Curitibana da Construção Civil. Uma ao lado do meu consultório, outra à beira da minha sacada de casa.

Entre tantos ruídos, batidas e sons peculiares das ferramentas e máquinas, o que me chama atenção mesmo é o canto solo que, a cada poucos minutos, é entoado nas tais orquestras…Um tal de “pega aí”, “solta”, “deixa comigo” e tantas outras falas sempre regadas a ironias e muita diversão – e palavrões, claro. Mas longe de ter aquela conotação pesada, soam mais como uma melodia em que todos, por tudo, são literalmente zoados.

Não bastasse o bom humor apesar do árduo trabalho, é preciso acrescentar doses de sol (ou chuva) sobre suas cabeças. Caramba, que vontade é essa de trabalhar?  Nenhuma ou pouca, aposto. Raro alguém morrer de desejo de erguer pesos sob o calor de 30 graus ou seguir martelando enquanto os pingos gelados da chuva lhe escorrem roupa adentro. Isso tem muito mais a ver com esforço e coragem, e pouco com o querer.

A vida nos desafia a agarrar essa pá, de tempos em tempos. Nos propõe tarefas não tão agradáveis, desafios cansativos e atividades que jamais seriam voluntariamente por nós escolhidas. A recompensa? Um belo edifício ou um condomínio de conquistas palpáveis, sonhos realizados e objetivos alcançados. Esqueça a balela do prazer fullday, certamente não foi com ele que as estradas nas mais altas serras foram levantadas, as estacas das pontes fixadas no fundo do mar, as redes fluviais e de saneamento construídas. Pelo menos não só com prazer. Então, minha querida e meu querido, tome tento que ainda dá tempo: substitua a expectativa de gostosuras sem fim, pela realidade do esforço. É ele que nos dá a alegria de contemplar a obra terminada!

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