Mão única

EM: 23 de setembro de 2016

Mão única

“Fazê-la feliz!”-  disse-me ele num misto de empolgação e indignação pela obviedade da pergunta.

Essa, aliás, é a mais fofa das declarações dos enamorados e a mais frequente resposta quando questionados sobre o que querem, no relacionamento em que se estão.

Meigo, verdade, mas pouco funcional. Aliás, quase um tiro no pé – ou nos dois! Pois bem, tenho eu a missão inglória de conduzi-los à verdade: Relação é troca. Escambo, permuta. “Cruzes, que jeito frio de ver as coisas!”, retrucam-me os mais românticos, mas passa. E rápido. Bastam algumas reflexões e a visão altruísta cor-de-rosa aprendida nas cartilhas, logo revela a dor de uma coexistência unilateral.

Buscamos amigos, conhecidos e – pasmem – até nossos amores, a fim de receber benefícios diante dos que iremos proporcionar. Ninguém consegue permanecer numa relação de mão única. Ok, alguns ficam, mas não inteiros e quando não há inteireza onde se está, esse “lugar” não é tudo aquilo que poderia ser.  Não te realiza como poderia, não te arranca os sorrisos que gostaria. Não traz a plenitude de ser sua melhor versão de você ao lado desse alguém. É isso que se espera de um relacionamento amoroso?

E em tempo: não falo aqui apenas do casal de pombinhos, pois amoroso todo relacionamento é. Pais e filhos, irmãos, amigos, parentes, colegas. Quando não há eco no canto entoado, tenhamos a hombridade de deixar o palco.

Por isso dou sim graças a Deus pelo divórcio! O divórcio das chatices, dos abusos, das mesquinharias e traições (seja da origem que for) que uma relação “bixada” nos impõem. Aquela amizade que só busca, mas nada traz. Um familiar, um conhecido, um namorado…

Separar-se da ausência da reciprocidade traz paz e denota respeito a si mesmo. Nossa alma sente, e agradece.

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Mal amada

EM: 16 de setembro de 2016

Mal amada

Em meio à “muvuca” surge no fundo do ônibus um grito carregado de raiva: “Mal amada!!!”. Foi assim que meu dia começou, num passeio turístico quando (por um desses presentes que a vida nos dá) estive em Buenos Aires. Ao contrário da maioria dos argentinos com os quais conversamos, a chica do tal ônibus fora irritantemente indelicada com “los hermanos brasileños” e acabou ouvindo o famigerado grito.

Argentinos, brasileiros, europeus… pouco importa, todos temos nossos dias ruins. Longe de mim a prepotência de condená-la, tampouco ao turista indignado que pôs a boca no trombone. Só fiquei pensando na tal expressão… “Mal amada”. Será mesmo que ela o é? E como dizem os portugueses: que raios quer dizer isso?

Sempre que a gente escuta pensa em algo como “solteirona” ou mal resolvida, alguém que não tem um parceiro ou coisas do tipo. Quanta bobagem!!! Nem sempre quem tem um “alguém” possui a garantia de que esse lhe faça bem. E não estar num relacionamento nada tem a ver com não estar feliz! Milhares de pessoas mantém seus relacionamentos infelizes em nome de sei lá o que ou sob a bandeira de um princípio que, embora criado para nos tornar livres, damos um jeito de fazê-lo nos escravizar. Seguem infelizes na tentativa de fazer aos outros, que lhes julgam, felizes. Mas sigamos pensando na mal amada…

Afinal, o que é o amor se não sentir-se acolhida tal como se é, com suas falhas e virtudes, chatices e doçuras? Ser abraçada no momento da dor e motivada quando a coragem lhe falta? Sentir-se alimentada pela presença do outro e faminta quando distante? Seria mesmo justo reduzir tão nobre sentimento a uma só de suas tantas facetas? A tal moça indelicada do ônibus turístico certamente tem por si alguém que muito a quer bem… mãe, irmãos, uma tia querida, amigos da faculdade. Talvez um “muchachito” que por ela esteja enamorado, um rolo… alguém. E então, que mal esse amor tem?

Longe de mim sair em defesa dos grosseiros de plantão, muito menos dos que comprometem seu profissionalismo por suas alterações de humor. Sou daquelas que abre mão de comprar mais barato numa loja em que fui mal atendida e paga com gosto um pouquinho mais caro na concorrente, onde sorrisos vêm de brinde. Mas talvez aquela garota seja mesmo feliz, divertida, gente boa e muito bem amada. Estava apenas num mau dia e não soube lidar com isso. TPM talvez, não sei. O que sei é que aquele grito me fez pensar que essa é uma expressão demasiada forte – diria até cruel.

Mal amados somos mesmo quando não recebemos o amor daquele que mais nos convém. A saber, nós mesmos.

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Sem título

EM: 2 de setembro de 2016

Sem título 2

Outro dia li um texto no qual a norte-americana Rachel Macy Stafford discorre lindamente sobre não dizer mais “anda logo!” para sua filhinha, pois a pequena tem um jeitinho mais calmo de fazer as coisas. Chorei. Pensei nas pessoas com quem convivo, na minha família… em mim.

Toda semana vou a um hospital especializado no atendimento a idosos. Dentre tantas coisas que lá aprendo, uma das mais fortes é perceber que os vovozinhos e vovozinhas nada falam daquilo que tiveram. Seus olhos brilham mesmo quando me contam de seus netos, filhos, amores, irmãos, amigos… suas verdadeiras riquezas. Lá, num leito de hospital, aos 90 e tantos, compreendem e aconselham: “Aproveite sua vida, minha jovem. Ame e seja amada.”

Pelo menos uma vez na vida cada um de nós soubemos depois de alguns dias que “fulano de tal” estava enfrentando algo super difícil, que convivia com uma situação daquelas que nos tiram o eixo, estraçalham a alma. “Nossa, mas como eu nem percebi?” – frase corriqueira em dias de olhos fitos nos smartphones e mentes ocupadas em pagar contas, responder mensagens, organizar o dia, enfim, sobreviver.

Estranha a sensação de não estarmos ali, mesmo estando. E ainda mais surreal o fato de nos acostumarmos a isso, normalizando o gélido modo moderno de existirmos coletivamente. Estamos no mesmo ambiente que a Joana, mas não temos a mínima ideia do que ela vive, dos seus sonhos, medos, angústias. Afinal não somos psicólogos uns dos outros, somos colegas de trabalho, estudo e etc. Belo discurso esse nosso, encharcado de egocentrismos que na verdade maquiam as mesmas inseguranças da tal Joana – a colega. Ou seja, somos todos igualmente carentes uns dos outros.

Mas seguimos bravamente em nosso ritmo, sem interrupções, sempre avante rumo aos objetivos determinados por uma crença de quem devemos ser, o cargo que devemos ocupar, os bens que alguém decidiu que deveríamos possuir. Caminhamos obedientes feito a menininha do texto, cuja mãe lhe vivia dizendo “anda logo!”. Brilhantes na jornada diária de acordar, ir , fazer, ganhar, comprar, gastar, ir de novo, ganhar de novo … incessantemente, impensadamente. Feito cães correndo atrás dos próprios rabinhos, numa batalha de Pirro, onde os custos certamente não valem os ganhos.

Se é pra andar logo, nos apressemos! Mas para dar e receber atenção, carinho. Corramos para olhar nos olhos de quem passa o dia todo ao nosso lado bem ali no trabalho e, quem sabe, ao percebermos sua dor, semear um sorriso que a alivie, um abraço que conforte, e talvez até uma palavra que mude sua história.

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Orgasmo do coração

EM: 19 de agosto de 2016

Orgasmo do coracao peq

Basta abrir uma revista feminina para encontrar artigos sobre orgasmo. Mil dicas, opiniões e etecetera. Mas pouco se fala do orgasmo do coração, já reparou? Aquele que nos invade a alma quando vemos nosso amado caminhando em nossa direção, que nos faz suspirar no meio do dia ao receber uma mensagenzinha doce, sorrir ao ver a mesa posta para o jantar com as taças servidas do seu vinho predileto ao entrar em sua casa depois de um dia cansativo…

Aquele prazer sublime que nos arranca do chão ao receber as flores mais lindas do mundo, que nos faz chorar ao constatar o quanto ele acredita em nosso potencial e projetos profissionais, rir alto e gostoso como nunca antes rimos com ninguém, que nos enche de satisfação ao perceber a forma como ele ama também nossa família, que nos altera a visão do mundo e das pessoas, tornando tudo mais belo.

Aquele que nos enche os olhos de lágrimas a cada erro perdoado, a cada jeitinho esquisito acolhido com carinho, sem cobranças, exigências de mudanças ou de perfeições. Que nos faz ser melhores do que éramos antes de ser um com ele. Aquele orgasmo que nos faz beliscarmos a nós mesmas numa tentativa frenética de obter a certeza de que aquilo não é mesmo um sonho… E não é.

Se essa descrição toda aí em cima a fez sorrir, continue e lembre-se de manter o jardim do amor bem regado. Respeito, atenção, carinho e cumplicidade são adubos indispensáveis! Mas se a tristeza a tomou a cada nova frase, é hora de fazer um pit stop e rever o caminho. Parar para perceber o que está acontecendo é sempre o primeiro passo para definir o que irá acontecer. Relacionamentos trazem sim sua medida de dissabores, mas têm por maior missão, trazer amores. Se na balança da convivência, as dores têm pesado muito mais, busque ajuda. Se há amor, toda mudança é possível.

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Inteligente é ser feliz – on ou off line

EM: 5 de agosto de 2016

Inteligente é ser feliz

Estaríamos nós vivendo o momento histórico em que todo mundo criou coragem pra falar de si, ou apenas ousam mais por estarem atrás da tela? Sei lá, pouco importa na verdade. No fundo acho isso tudo muito bacana (palavra antiga pra algo moderno – vintage – é moda na rede!). Cada um podendo dizer o que pensa e mostrar o que faz, veste, come, experimenta. Mas o que não falta é gente com o nariz torcido dizendo “sou inteligente, não vou curtir bobeiras”.

Tá, é bem verdade que algumas informações poderiam ser dadas apenas aos respectivos terapeutas ou aos únicos interessados. Como por exemplo os recadinhos pra Deus (Oi? Deus tem facebook?), check-in diário num lugar que você vai todos os dias, as descrições de suas alterações metabólicas (fome , dor disso ou daquilo), os anúncios dos mimos recebidos e os tantos momentos “caras” afins… Mas e daí? Quem afinal determina o que é ridículo e o que não é? Será que ridículo mesmo não é ficar achando tudo ridículo?

Sinceramente não vejo necessidade de buscar outro sentido por detrás dessa superexposição, como muitos insistem em fazer. Nada novo, apenas o instrumento. O velho homem sendo homem, cada um a seu modo. Sabe-se lá se o homem da caverna não iria postar a foto da esposa lavando roupa de cócoras no rio, com o hashtag #minhapatroa, se tivesse um tablet. Ah, mas claro… o ogro da caverna ao lado acharia o cúmulo da “jacuzisse” e não ira “curtir”!

Aliás, acho que eis aí a questão! Desde que o homem é homem, pra alguns o modo alheio é insuportável. Por vezes até classificado em “pseudo-patologias”. Que medo!! Não dos que falam de si, mostram suas alegrias, tristezas, experiências, pensamentos e até aquilo que você jamais mostraria. A esses meu sorriso de carinho. Antes temo aos que persistem a tudo criticar, nessa necessidade desmedida de mostrar-se superior, outorgando-se pela crítica, o título de intelectual. Será?!

Intelectualidade sugere domínio da inteligência. E pra que inteligência maior que o saber lidar com as diferenças? Ver e ouvir a “esquisitice” do outro, certo da estranheza que a sua lhe causa. Esse é o tipo de inteligência que não se aprende nas carteiras das escolas. É a que vem de dentro. Da alma. Aquela que nos diz o quão iguais somos, em nossas momentâneas diferenças.

Inteligente mesmo, é ser feliz. Cada um do seu jeito.

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In-Gratidão

EM: 22 de julho de 2016

In-gratidão

Nos últimos tempos tenho pensado bastante sobre a ingratidão. Corrosiva só de ver, mais ainda de viver. No caminho de praxe, comecei pela palavra e deparei-me com essa praga minúscula itinerante, o prefixo in. Antipático às tampas, se precede a palavra mais linda do mundo, trata logo de negá-la, de salientar sua ausência, escancarar sua inexistente. E nas emoções deixa suas duras marcas, sem lastros de piedade.

Um pequeno capaz de tornar maravilhas em horrores… Impaciência, intolerância, indiferença. Variações mil, mas de uma delas em especial, são esses meus rascunhos que lês. A ingratidão. O in, acoplado à grandeza de ser grato, tem o dom de ferir. Fere, e por vezes mata. Sentimentos, possibilidades, relações. Tudo sucumbe face a esta ingrata.

Silenciosamente a formosura rende-se à dureza. Ser, fazer, pagar, dar, comprar. Em que contrato firmou-se tamanho dever? E ao agraciado, quem disse que lhe era por direito tanto receber?
Aonde impera a ingratidão reina soberano o sentimento de obrigação. Não ser percebido em seu gesto, reconhecido pelo esforço, honrado pelo seu coração benevolente. A indiferença (mais uma do tal “in”) toma conta daquele que, do sentimento de ser grato, era merecedor. Quanta dor, é fácil supor.

A você, que de perto a tem visto, lhe digo, esperança, meu caro! Sempre existe uma, e aqui o seu nome é amor. Graças a esse tal magnânimo entre os sentires, ela, que hoje o dilacera, há de ceder. E quiçá desperte a nobreza, a humildade naquele que um dia lhe fora ingrato. Então, com a delicadeza que só ele, o amor, tem, impulsionará as almas ao exercício de ser grato.

Agradecida, Jeanine Rolim.

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Ensaio sobre a pequenez

EM: 15 de julho de 2016

Ensaio sobre a pequenez

Pequeno mesmo é o coração mesquinho, que não sabe amar.
Que fere ao outro para sentir-se bem.
Que prefere mentir a pedir perdão.

Pequeno é sentir-se grande demais para o que de fato se é,
É julgar aos outros por suas próprias mazelas,
É denegrir para encobrir.

Pequeno é aprisionar em lugar do amar,
Manipular ao invés do conquistar.

Pequeno é ser rude com o inocente,
E dissimulado com os puros,
Por acreditar que, assim, a grandeza alcançará.

Grande é deixar que o amor habite, e satisfeito, permaneça.

Todo mundo conhece alguém que sofre por outro alguém. Não é que num mundo de gente tem gente que se sente mais que a gente? Pois bem uma coisa lhe garanto, uma hora há de acabar tal encanto. A venda dos olhos cairá, as algemas da alma será aberta e as amarras que lhe faziam ali, neste lugar de dor, permanecer, serão destruídas. Aquele, que até a pouco se submetia às investidas maldosas, mais cedo ou mais tarde despertará. Ficará cara a cara com aquele que sempre esteve ali, mas não era visto. Que sempre pode ajuda-lo , mas não conseguiu. Finalmente verá claramente … o seu real valor. E então, a escravidão do medo não mais a dominará.

Invista em você, liberte-se , e seja feliz.

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Estética do absurdo

EM: 11 de julho de 2016

Estética do absurdo

Ontem soube de mais uma pessoa que perdeu a vida em meio a uma cirurgia estética. Procuro não ser radical em nenhuma questão da vida, e não tenho a intenção de levar a bandeira anti-cirurgia. Longe de mim! Tudo que quero é o direito de pensar, o benefício da dúvida, a permissão para refletir. E em voz (e letra) alta é sempre melhor.
Impossível pensar sobre isso sem falar da tormenta que nos acomete diariamente nas propagandas de Tv, sites, redes sociais e demais mídias; Quanta eficiência em fazer com que nos sintamos sempre aquém do que verdadeiramente somos e muito distantes do que sonhamos um dia ser.

Gorda demais, baixa demais, alta demais, bochechuda demais, cabelo crespo (ou liso) demais, e por aí vai. Em 30 segundos vamos de um estágio de normalidade psíquica à insanidade da estética do absurdo. Nada mais está bom. Precisamos mudar.

Lembro-me do dia em que li um post de um renomado jornal brasileiro no qual a foto do ator Reinaldo Gianecchini tinha como legenda a seguinte frase “Gianecchini exibe o novo visual após a quimioterapia. Aprovam?” Então o cara supera um câncer, está ainda em tratamento e os veículos nacionais de comunicação gastam seu espaço e tempo para perguntar se ele está “gato”. É isso mesmo, produção? Algum ser humano desse planeta insignificante tem que aprovar? E cá entre nós, confesso que na minha opinião ele está ainda mais lindo com aqueles cabelinhos grisalhos, mas o que importa isso diante do milagre da vida, do desafio de seguir respirando a cada manhã, da esperança em prosseguir? Decidimos mesmo colocar por prioridade o formato dessa massa perecível que carregamos entre nossos ossos? Quanta tolice!

A conhecida que morreu em meio a sua cirurgia estética era uma jovem que tentava reduzir o peso antes de uma primeira gestação. Recém-casada, bonita, cheia de vida. Fácil julgá-la, difícil mesmo é pararmos de aceitar a “idiotização” coletiva transmitida em canais abertos e fechados.

Popozudas das coxas mais duras que mármore, seios mais inflados que balão de festa infantil, “bocas de bagre” e rostos engessados que nunca deixam claro estar sorrindo ou chorando. Todo mundo igual, padronizado, “coisificado”.

Há um ditado indiano que diz: “Ao final da partida de xadrez o rei e o peão vão para a mesma caixa”, a questão é como viveram durante a  “partida”, o que lhes foi mais importante. Vale refletir, não?

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Brevidade

EM: 11 de julho de 2016

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Tão breve que pelas mãos se esvai,
Tão frágil que se parte toda quando cai.
Um olhar que se vai,
Palavras não ditas. Nunca mais ouvidas.
O silêncio. A falta.
Uma história toda, num segundo.
O vazio da ausência.
A certeza que a cada dia negamos,
A perda de quem se tem.

Quem dera fôssemos sábios em compreender a brevidade da vida e nela, caminhar mais leves. Livres de tantas amarras inúteis, orgulhos pueris, medos tolos. Livres da falácia da ilusão de que haverá tempo depois.

Quem dera compreendêssemos em nossas almas que o cronos não espera, que o momento do perdão é sempre agora, de um abraço, o hoje. E nada, absolutamente nada, vale mais que o amor que damos e nos permitimos receber.

Todo resto é efêmero, passageiro. Sucumbe num piscar de olhos. Olhos estes, que hoje se fecham na humilde tentativa de unir-se ao coração, fazendo , então, uma prece: Que nos seja indispensável o verdadeiro. E breve o fútil. Amém.

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A extraordinária vida ordinária

EM: 14 de maio de 2016

Foto Matéria 1

Não, esse texto não tem nada a ver com a (graças a Deus) extinta banda “É o Tchan” – é bom que se deixe claro já no início.

Antes de ser um palavrão chulo, ordinária é um adjetivo, que nos dá a ideia de comum, usual, regular…, diz o pai dos burros. Pois bem, se é de vida que estamos falando, seu caráter ordinário nada mais é que o dia-a-dia, aquele corre-corre enlouquecido de casa pro trabalho, voando pra deixar os filhos na escola, dando uma paradinha na farmácia pra garantir o remédio do caçula, trabalhando 8h a fio com a máxima eficiência possível antes de passar no mercado e pegar as crianças de volta… Ufa, finalmente em casa, exaustos e conscientes de que amanhã começa tudo outra vez

Assistindo a um congresso outro dia, remexi-me na cadeira (e na mente), quando ouvi o palestrante dizer que “a gratidão torna a vida ordinária numa vida extraordinária.” Hey, que parte eu perdi? Como é que essa mágica acontece? – Me perguntei afoita. Até que minha ânsia fora calmamente vencida pela reflexão. De fato, ao olharmos atentamente para o que temos e lhe atribuímos o valor devido, “abraçamos a vulnerabilidade” de nossas almas inquietas, num quase canto de ninar cuja letra diria no refrão algo como “Calma lá meu camarada, de tudo que necessitas, não lhe falta nada.”

Pois que esse abraço também seja diário e esse canto, um mantra. Que o que nos falta não seja capaz de nos cegar para o que já temos. E o que queremos, não nos faça esquecer o quão bem sem isso ou aquilo, até aqui vivemos. E, por fim, que a doença da insuficiência não nos torne tolos.

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